Residência Sénior

Residência Sénior

O progressivo envelhecimento demográfico, decorrente do desenvolvimento socioeconómico,
da ciência e da tecnologia, é um fenómeno marcante da sociedade moderna. Sendo um
fenómeno biológico, psicológico e social, o aumento da longevidade, nem sempre corresponde
a um nível de bem-estar ou a um grau de autonomia que possibilite aos mais velhos
uma vida de acordo com as suas necessidades e expectativas.

A Organização Mundial de Saúde lançou a proposta do envelhecimento activo, entendido
como um processo que se inicia cedo e acompanha as pessoas ao longo da vida, compreendendo
essencialmente a optimização das condições de saúde, participação e segurança.
O conceito de envelhecimento activo e saudável, traduz a possibilidade da pessoa idosa permanecer
autónoma e capaz de cuidar de si própria, no seu meio natural de vida, ainda que
com recurso a apoios, tanto quanto possível.
A realidade mostra porém, que há um número considerável de pessoas idosas que não
encontram uma resposta adequada nesse meio. Na ausência de resposta no seu meio natural
de vida – o familiar – a pessoa idosa necessita de especiais empenho e competência das
respostas sociais para que as dimensões física, psíquica, intelectual, espiritual, emocional,
cultural e social da vida de cada indivíduo possam por ele ser desenvolvidas sem limitações
dos seus direitos fundamentais à identidade e à autonomia.

Torna-se, por isso, frequente a necessidade do recurso a essas respostas sociais, em que se
inclui o alojamento em Estrutura Residencial, a título temporário ou permanente.
É fundamental que a estrutura residencial se constitua como um contexto humanizado, personalizado
e que tenha em conta as efectivas necessidades específicas de cada situação, tendo
sempre como horizonte que os clientes são o centro de toda a actuação e que o meio familiar
e social de um indivíduo é parte integrante das suas vivências, devendo continuar a ser particularmente
considerado no apoio às pessoas com mais idade, de acordo com os seus desejos e
interesses. Assim o exige a perspectiva do respeito e promoção dos seus direitos humanos.
A partir dos determinantes do envelhecimento activo identificados na II Assembleia
Mundial das Nações Unidas (Madrid, 2002) – factores sociais, factores pessoais, saúde e
serviços sociais, factores do meio físico, factores económicos e factores comportamentais
– é requerida para as estruturas residenciais uma abordagem holística e integrada na sua
concepção, na organização e prestação dos seus serviços.
Segundo a Teoria da Actividade (Havighurst), a actividade é o elemento fundamental de um
envelhecimento saudável, implicando uma vida mais duradoira e com mais qualidade, pelo que
a activação e a estimulação dos indivíduos que potenciem a dimensão biológica, intelectual e
emocional, assumem papel de destaque na estratégia de intervenção das estruturas residenciais,
constituindo-se como princípios orientadores fundamentais nesse domínio:
• a promoção da saúde e prevenção das incapacidades;
• a optimização e compensação das funções cognitivas;
• a promoção do desenvolvimento afectivo;
• o fomento do envolvimento e participação social.
A Estrutura Residencial constitui-se como uma Resposta Social, desenvolvida em equipamento,
destinada a alojamento colectivo, num contexto de “residência assistida”, para pessoas
com idade correspondente à idade estabelecida para a reforma, ou outras em situação
de maior risco de perda de independência e/ou de autonomia que, por opção própria, ou
por inexistência de retaguarda social, sem dependências causadas por estado agravado de
saúde do qual decorra a necessidade de cuidados médicos e paramédicos continuados ou
intensivos, pretendem integração em estrutura residencial, podendo aceder a serviços de
apoio biopsicossocial, orientados para a promoção da qualidade de vida e para a condução
de um envelhecimento sadio, autónomo, activo e plenamente integrado.

Constituem-se como objectivos principais desta resposta:
• promover qualidade de vida;
• proporcionar serviços permanentes e adequados à problemática biopsicossocial
das pessoas idosas;
• contribuir para a estabilização ou retardamento do processo de envelhecimento;
privilegiar a interacção com a família e/ou significativos e com a comunidade, no
sentido de optimizar os níveis de actividade e de participação social;
• promover estratégias de reforço da auto-estima, de valorização e de autonomia pessoal
e social, assegurando as condições de estabilidade necessárias para o reforço
da sua capacidade autónoma para a organização das actividades da vida diária.

Para que haja um aproveitamento das sinergias que se desenvolvem no contexto da
Estrutura Residencial para Idosos, tendo em consideração os clientes, os colaboradores, a
estrutura e o funcionamento, torna-se necessário que resulte deste conjunto uma intervenção
pautada por critérios de qualidade, de que se destacam os seguintes:
• garantir o exercício da cidadania e o acesso aos direitos humanos dos clientes,
p.e. autonomia, privacidade, participação, confidencialidade, individualidade,
dignidade, oportunidades de igualdade e não discriminação;
• respeitar as diferenças de género, socio-económicas, religiosas, culturais, sexuais
dos clientes e/ou pessoas próximas;
• respeitar o projecto de vida definido por cada cliente, bem como os seus hábitos
de vida, interesses, necessidades e expectativas;
• transmitir e garantir aos clientes um clima de segurança afectiva, física e psíquica
durante a sua permanência na Estrutura Residencial;
• promover o envolvimento e o estabelecimento de uma parceria e articulação estreita
com o cliente e/ou significativos, a fim de recolher a informação necessária
sobre as necessidades, expectativas, capacidades e competências, co-responsabilizando-
os no desenvolvimento de actividades/acções no âmbito dos serviços
prestados;
• mobilizar a participação dos clientes na gestão da estrutura residencial, envolvendo-
os no planeamento, monitorização e avaliação das respectivas actividades;
• desenvolver todas as relações entre o cliente e os restantes intervenientes (colaboradores
internos e externos, voluntários, entre outros) com ética, respeito pelos
direitos e deveres, profissionalismo, rigor e qualidade;
• compreender a individualidade e personalidade de cada cliente, para criar um
ambiente que facilite a interacção, a criatividade e a resolução de problemas por
parte destes.

Introdução
Só desta forma o cliente se pode sentir bem no âmbito dos serviços prestados pela
Estrutura Residencial, isto é, se forem tidos em conta a sua maneira de ser e estar, a identidade,
os hábitos de vida, as crenças religiosas, a cultura, as condições de vida, entre outros
aspectos. Isto implica:
• pensar o cliente como um ser afectivo e activo, que, independentemente da sua
situação, possui um projecto de vida e tem o direito de ser respeitado na sua identidade
e individualidade. Personalizar os serviços, gerindo de forma flexível e individualizada
cada projecto de intervenção, constituiu-se como um imperativo;
• organizar dinâmicas de trabalho que proporcionem oportunidades para que o
cliente possa comunicar os seus sentimentos e formular posicionamentos pessoais,
sobre o que o envolve;
• criar um ambiente calmo, flexível e responsável, adaptado aos interesses e necessidades
de cada cliente, permitindo-lhe continuar o seu desenvolvimento individual;
• orientar a prestação de serviços continuamente para o cliente, diagnosticando as
suas necessidades e expectativas, os seus potenciais de desenvolvimento e criando
oportunidades para a sua optimização.

 

Fonte: Segurança Social